Mudar a alimentação e começar a se exercitar é uma decisão que muitas pessoas tomam com grande expectativa, mas com o tempo, a empolgação inicial pode diminuir e muitas acabam desistindo. Isso acontece porque mudanças no estilo de vida não dependem apenas de força de vontade ou disciplina, mas principalmente de preparo mental. A forma como cada pessoa lida com a comida, o próprio corpo e o esforço físico é construída ao longo da vida, influenciada por emoções, experiências passadas, rotina, saúde mental e funcionamento do cérebro. Portanto, cuidar da mente é tão importante quanto escolher o treino ou montar o prato.
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A preparação mental para mudanças no estilo de vida é um processo contínuo e não algo que se faz uma vez e está resolvido. Segundo a psicóloga Quézia Lucena de Almeida, pensar de forma rígida, como se fosse tudo ou nada, aumenta a frustração. Observar o que funciona, reforçar o que dá certo e adaptar o que não faz sentido ajuda a manter o processo mais leve e possível. A relação com a comida, por exemplo, começa muito cedo, desde a amamentação e da infância, e é influenciada por fatores como recompensa, conforto ou alívio emocional. Comer também é um ato social, ligado a celebrações e afetos, o que influencia as escolhas feitas na vida adulta. Outro ponto importante é a constância, pois manter hábitos só é possível quando aquilo faz sentido para a pessoa. Do ponto de vista médico, o psiquiatra Lenon Mazetto explica que o cérebro prefere o que já conhece e busca economia de energia e previsibilidade. Rotinas antigas já estão ligadas a circuitos consolidados de hábito e recompensa, e mudar exige esforço cognitivo e tolerância ao desconforto inicial.
Condições como ansiedade, depressão e TDAH podem dificultar muito a adesão a mudanças no estilo de vida. A desregulação emocional também está ligada à compulsão alimentar e ao abandono precoce do exercício. Nesses casos, comer ou desistir do treino pode funcionar como uma forma inconsciente de aliviar emoções difíceis, como ansiedade e frustração. É importante entender que a disciplina não precisa doer, e que o sofrimento costuma vir dos pensamentos negativos sobre o esforço necessário para mudar. Preparação mental é fundamental para superar esses obstáculos e manter hábitos saudáveis. Além disso, é essencial considerar a saúde mental e o funcionamento do cérebro ao tentar mudar o estilo de vida.
Em prática, as pessoas podem se beneficiar de uma abordagem mais flexível e adaptativa ao tentar mudar seus hábitos. Isso pode envolver buscar apoio de profissionais de saúde, como psicólogos e nutricionistas, para ajudar a desenvolver estratégias personalizadas e sustentáveis. Além disso, é importante lembrar que a mudança é um processo gradual e que pequenos passos podem levar a grandes resultados ao longo do tempo.